Há dois anos, no Azerbaijão, com grupos de jogadoras praticamente iguais, Brasil e Alemanha se enfrentaram. E a Alemanha conseguiu a classificação no último minuto. Naquela partida, o Brasil saiu vencendo e teve com Brena Carolina a chance de definir a classificação. Não aconteceu e o castigo veio. Mas foi uma partida que deixou todos os brasileiros orgulhosos. A diferença? Edvaldo Erlacher.
Naquela oportunidade, apesar de ter havido apenas duas convocações antes do Mundial, ao contrário deste ciclo onde houve mais de 10, a seleção era mais organizada, defendia melhor e tinha um meio-campo melhor colocado. Talvez, se não tivesse perdido Mayara, no jogo contra o México, a história fosse outra. Djeni, Andressa, Byanca, Mayara, Brena e Gabi Salgado fizeram um bom Mundial, em 2012, e certamente não desaprenderam.
Quem desaprendeu foi a CBF que instaurou a República de São Paulo. Primeiro foi a turma do São José, que adiava ou adiantava jogos, fazia "panelas" e usava a seleção como playground. A coisa foi tão escandalosa que muitos times protestaram e a comissão técnica, de Márcio de Oliveira, foi mandada embora. Só que nada mudou. Entrou uma turma que não conhecia o futebol feminino. Nem Vadão, um grande técnico, e, muito menos, o inexpressivo Doriva haviam pisado em um jogo de futebol feminino antes do chamado da seleção brasileira.
Vadão e Doriva assumiram junto com Fabricio Maia, coordenador de Araraquara, time campeão da Copa do Brasil. Diminuíram as convocadas do São José, apareceram as da Ferroviária, que, por coincidência, já conseguiu alterar a data do seu jogo na semifinal do campeonato paulista. Certamente com as sugestões de Fabricio, jogadoras inexpressivas como Nenê e Rafaela, conseguiram o seu lugar na seleção. Tiraram lugar de atletas melhores qualificadas e atrasaram a vida da seleção brasileira.
É óbvio que, como único conhecedor do futebol feminino, e manda-chuva do clube para o qual a CBF acabou de inventar uma vaga no campeonato brasileiro, Fabricio exerce influência na convocação e escalação de jogadoras. Obviamente, a única prejudicada foi a seleção nacional.
Agora é hora de esfriarmos a cabeça! E aplaudirmos as meninas da seleção brasileira que foram guerreiras. A geração de Byanca, Djeni, Camilinha, Lelê, Leticinha, Andressinha, Gabi Lira e Gabi Portilho não pode ser queimada. É uma geração que, ao contrário do que falou a suposta comentarista do Sportv, Leda Maria, é muito talentosa. Essas meninas precisam é de maior rodagem internacional. Amistosos contra a Nova Zelândia não dão experiência à ninguém, a menos que seja no Rugby. E precisam também de um comando técnico de verdade. O comandante da seleção brasileira precisa trabalhar com futebol feminino. E não ser ligado a nenhum clube, pois a experiência com o Márcio, do São José, foi traumática.
Respeitemos o grupo de jogadoras da sub-20. Elas ainda vão nos dar muitas alegrias. E devolvam o Doriva para o XV de Jaú.