terça-feira, 12 de agosto de 2014

Respeitem a geração sub-20

A geração sub-20 da seleção brasileira de futebol feminino não pode ser queimada. É um grupo de jogadoras, que em termos técnicos, é espetacular e muito talentoso. Esse era o grupo de jogadoras brasileiras que melhor poderia ter nos representado num Mundial, não fosse a politicagem da CBF, que derrubou o técnico Edvaldo e instaurou a República de São Paulo no comando do futebol feminino nacional.

Há dois anos, no Azerbaijão, com grupos de jogadoras praticamente iguais, Brasil e Alemanha se enfrentaram. E a Alemanha conseguiu a classificação no último minuto. Naquela partida, o Brasil saiu vencendo e teve com Brena Carolina a chance de definir a classificação. Não aconteceu e o castigo veio. Mas foi uma partida que deixou todos os brasileiros orgulhosos. A diferença? Edvaldo Erlacher.

Naquela oportunidade, apesar de ter havido apenas duas convocações antes do Mundial, ao contrário deste ciclo onde houve mais de 10, a seleção era mais organizada, defendia melhor e tinha um meio-campo melhor colocado. Talvez, se não tivesse perdido Mayara, no jogo contra o México, a história fosse outra. Djeni, Andressa, Byanca, Mayara, Brena e Gabi Salgado fizeram um bom Mundial, em 2012, e certamente não desaprenderam.

Quem desaprendeu foi a CBF que instaurou a República de São Paulo. Primeiro foi a turma do São José, que adiava ou adiantava jogos, fazia "panelas" e usava a seleção como playground. A coisa foi tão escandalosa que muitos times protestaram e a comissão técnica, de Márcio de Oliveira, foi mandada embora. Só que nada mudou. Entrou uma turma que não conhecia o futebol feminino. Nem Vadão, um grande técnico, e, muito menos, o inexpressivo Doriva haviam pisado em um jogo de futebol feminino antes do chamado da seleção brasileira.

Vadão e Doriva assumiram junto com Fabricio Maia, coordenador de Araraquara, time campeão da Copa do Brasil. Diminuíram as convocadas do São José, apareceram as da Ferroviária, que, por coincidência, já conseguiu alterar a data do seu jogo na semifinal do campeonato paulista. Certamente com as sugestões de Fabricio, jogadoras inexpressivas como Nenê e Rafaela, conseguiram o seu lugar na seleção. Tiraram lugar de atletas melhores qualificadas e atrasaram a vida da seleção brasileira.

É óbvio que, como único conhecedor do futebol feminino, e manda-chuva do clube para o qual a CBF acabou de inventar uma vaga no campeonato brasileiro, Fabricio exerce influência na convocação e escalação de jogadoras. Obviamente, a única prejudicada foi a seleção nacional.

Agora é hora de esfriarmos a cabeça! E aplaudirmos as meninas da seleção brasileira que foram guerreiras. A geração de Byanca, Djeni, Camilinha, Lelê, Leticinha, Andressinha, Gabi Lira e Gabi Portilho não pode ser queimada. É uma geração que, ao contrário do que falou a suposta comentarista do Sportv, Leda Maria, é muito talentosa. Essas meninas precisam é de maior rodagem internacional. Amistosos contra a Nova Zelândia não dão experiência à ninguém, a menos que seja no Rugby. E precisam também de um comando técnico de verdade. O comandante da seleção brasileira precisa trabalhar com futebol feminino. E não ser ligado a nenhum clube, pois a experiência com o Márcio, do São José, foi traumática.

Respeitemos o grupo de jogadoras da sub-20. Elas ainda vão nos dar muitas alegrias. E devolvam o Doriva para o XV de Jaú.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Vergonha de ser gremista

É vergonhoso e doloroso ser gremista hoje em dia. Não pelos resultados pífios do clube. Qualquer grande agremiação passa por dificuldades e períodos de seca de titulos. E isso, invariavelmente, aumenta a paixão e fidelidade do torcedor. O que dá nojo são as atitudes, especialmente de delinquentes travestidos de torcidedores organizados, e que comprometem a imagem da instituição.

Sou de uma época que o futebol era mais inocente e o que tinhamos de mais violento era um saco de urina arremessado em quem ousasse assistir os jogos em pé. Bons tempos aqueles em que os cânticos das torcidas organizadas pareciam feitos por estudantes da 6º série do ensino fundamental e que as organizadas não se infiltravam na política dos clubes.

Eram bons tempos, aqueles da década de 90, onde a maior provocação que ocorria era quando um Viola, um Túlio Maravilha ou um Paulo Nunes fazia gol, e comemorava de forma exótica.

Hoje em dia, não é a sofrível falta de qualidade dos clubes brasileiros, que nos afastam do futebol. Vejam o caso do Grêmio e, certamente, vocês saberão que não é a falta de títulos ou de futebol que está afastando os verdadeiros gremistas do clube.

O que afasta os gremistas hoje, em dia, é a Geral. Essa torcida nazista, racista e violenta, que fica atrás do gol e transforma aquele ponto em principal foco de confusões nos jogos do tricolor. Uma torcida que canta o hino do Rio Grande do Sul em cima do Brasileiro, que tem gritos xenófobos, que espanca seus adversários como se fossem inimigos e que tripudia da morte de um ídolo do rival.

Essa Geral, mesquinha e acéfala, que desrespeitou a memória de Fernandão - ídolo dos colorados e, também, de muitos gremistas - desconhece a própria história do tricolor. A primeira estrela, na sagrada camisa gremista, foi uma homenagem a morte de Everaldo, campeão do Mundo em 1970. A Geral não representa o Grêmio e nem é feito por gremistas. A Geral apenas afasta os verdadeiros tricolores.

Ao Fernandão, o pedido de desculpas, pois o que ele fez pelo futebol Rio Grande do Sul jamais será esquecido. A Geral, que desapareça, e devolva o Grêmio ao seu verdadeiro torcedor. E a direção do Grêmio que extraia este tumor do clube. E comece colocando cadeiras atrás do gol na Arena.

E que os gremistas voltem a se orgulhar do seu clube.