quinta-feira, 17 de julho de 2014

Dunga, não!

Dunga foi um bom jogador. Por vezes subestimado. Não era aquele "tosco", como a mídia muitas vezes quis lhe classificar. Chegava junto, é verdade. Não tinha vergonha de dar chutões. Mas também tinha qualidade para bater na bola, dava bons lançamentos e cobrava faltas com bastante perigo. Se não acredita, basta procurar os vídeos da Copa de 1998 e de toda a preparação daquele elenco vice-campeão mundial.

Porém Dunga não é treinador. Caiu de paraquedas na seleção em 2006, quando o ex-vice presidente da CBF, Emídio Perondi, o indicou a Ricardo Teixeira como forma de dar seriedade a seleção brasileira. Naquele ano, culpou-se a abertura exagerada da concentração em Weggis, na Suíça; a influência exagerada da Globo e a, não menos exagerada, liberdade dada aos atletas. Dunga foi chamado para ser o sargentão.

Os resultados até chegar a Copa do Mundo não foram ruins. Os jogos, no entanto, mostravam que o time dependia muito mais das belas atuações do goleiro Julio Cesar, considerado na época o melhor do mundo, e da dupla de zaga formada por Lúcio e Juan, que estavam em boa forma na Europa. Em 2007, por exemplo, vencemos a Copa América, onde jogamos apenas um jogo bem. Foi na vitória de 3 a 0 contra a Argentina. Antes, porém, perdemos na estreia para o México e nos classificamos para a final, nos pênaltis, contra um Uruguai que havia sido dominante nos 90 minutos.

As eliminatórias transcorreram normalmente e o Brasil venceu com tranquilidade, inclusive vencendo a Argentina por 3 a 1 em Rosário. Argentina, que era treinada por Maradona, outro que inexistiu na função. Porém em 2008, a mesma Argentina goleou o Brasil por 3 a 0 na semifinal dos jogos olímpicos de Pequim. Foi uma surra, onde o Brasil apanhou, miseravalmente, e poderia ter sido a precursora do 7 a 1. Mereciamos ter levado seis ou sete gols naquele dia.

A Copa das Confederações de 2009, também, foi conquistada pelo futebol brasileiro. Mas não custa lembrar que na semifinal derrotamos a África do Sul, de Joel Santana, por 1 a 0, com gol de Daniel Alves aos 46 minutos do segundo tempo. E vencemos os Estados Unidos por 3 a 2, de virada, com gols de bola parada e de um Luis Fabiano em excelente fase.

Dunga sucumbiu na Copa por fazer escolhas erradas. Levou Felipe Melo, que foi expulso no jogo contra a Holanda prejudicando o Brasil. Teimou e convocou Grafite, apenas para não levar Neymar. O resultado foi o mesmo que Parreira havia conquistado quatro anos antes, o Brasil caiu nas quartas de final.

Muitos dizem que aquela derrota, contra a Holanda, foi circunstancial. Falam do árbitro Japonês, o mesmo que neste ano deu o pênalti sobre o Fred. Lembram a falha de Julio Cesar e lembram da vergonhosa expulsão do desequilibrado Felipe Melo. Não custa lembrar que Felipe Melo foi escolha e, acima de tudo, teimosia pessoal do treinador, que deve, sim, arcar com suas escolhas e ser cobrado por elas.

Dunga caiu. Ficou três anos fora do mercado. Honestamente eu imaginei que tivesse desistido da carreira. Mas voltou para treinar o Inter. Dunga foi campeão gaúcho, como foram Lori Sandri e Silas, para citar alguns que não vingaram na profissão, e caiu após 10 meses de trabalho, pois o Inter jogava muito pouco. Em comum com a passagem da seleção brasileira, o desequilíbrio do treinador e as rugas com a imprensa.

A verdade é que Dunga nunca foi um treinador. Dunga foi uma invenção de Emídio Perondi, que foi aceita por Ricardo Teixeira. Como treinador, Dunga tem muito a aprender e provar. Precisa fazer bons trabalhos em clubes. Algo que o seu destempero dificilmente permitirá. Afinal a convivência diária com a cobrança revela um Dunga raivoso.

Por tudo que relembramos e baseado no conceito de futebol que as seleções, que melhor se apresentaram neste mundial, nos mostraram, Dunga não é o nome ideal. Precisamos de um treinador menos turrão, mais aberto. Um treinador atualizado e que não tenha vergonha de estudar. Um treinador que vá para a Europa aprender o que eles estão fazendo de diferente. Conhecimento nunca é demais.

Mudanças e renovação, sim. Dunga, não!

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